
É tempo de folia. É tempo de Carnaval. São dias enraizados numa tradição que remonta à Antiguidade e cuja origem ninguém consegue designar ao certo. Se alguns historiadores relacionam esta época com os cultos agrários, outros avançam no tempo e aliam-na às comemorações egípcias ou ainda ao culto do Deus Dionísio, um ritual da Grécia Antiga. O próprio termo revela, de igual modo, alguma imprecisão, evocando, como seria de esperar, a língua latina. Surge assim, associado à expressão “carrum novalis” (carro naval), remetendo-nos de imediato para a imagem dos tão criativos e espantosos carros alegóricos capazes de suportar o entusiasmo dos seus “passageiros”, com a energia à flor da pele. Poderá também reconhecer a sua origem na expressão latina “carnem levare”, evoluída para “Carne, vale” (“adeus carne!”), que designava a quarta-feira de cinzas e anunciava a supressão da carne devido à Quaresma.
O certo é que a alegria que parece jorrar nestes dias, abusando nos conceitos de excentricidade e de desinibição, não suscita qualquer tipo de hesitação quanto ao esforço e empenho pessoais aplicados na elaboração de uma máscara original e criativa. O apelo nasce quase de forma espontânea e torna-se contagiante o simples “querer” participar neste samba que combate o stress e faz esquecer, por umas boas horas, o quotidiano e as rotinas malucas que esvaziam as carteiras, tais como, as despesas mensais. Estes dias não são numerados nem medidos. Aproximamo-nos do final do mês. Ninguém deu por isso. Ainda bem.
Os limites perdem-se (felizmente) e a coragem sai à rua vestida de “Trapalhão”, sambando contra os males da sociedade, numa crítica voraz, acesa, divertida, mas sobretudo realista. É no desfile “atrapalhado” que se centram as atenções dos madeirenses e turistas, cada vez mais numerosos, nesta época. O público aplaude os (des)“mascarados” e os mais destemidos entregam o corpo aos ritmos quentes de origem africana. Assim, dando uns pézinhos de samba, quebram a timidez e a passividade da assistência. Os “trapalhões” fazem as delícias das crianças e enchem de coragem os foliões que lavam a alma secretamente atrás de um “disfarce”, ousando cantar aos “deuses governamentais”: Ei, você aí, me dê um dinheiro aí, me dê um dinheiro aí”... Sambem. Revelem-se. Propaguem a epidemia. Quem sabe alguém influente nos ouve e lê os pensamentos exibidos atrás da máscara? Não custa tentar. É Carnaval.
(publicado no DN de 25 Fevereiro 2004)
O certo é que a alegria que parece jorrar nestes dias, abusando nos conceitos de excentricidade e de desinibição, não suscita qualquer tipo de hesitação quanto ao esforço e empenho pessoais aplicados na elaboração de uma máscara original e criativa. O apelo nasce quase de forma espontânea e torna-se contagiante o simples “querer” participar neste samba que combate o stress e faz esquecer, por umas boas horas, o quotidiano e as rotinas malucas que esvaziam as carteiras, tais como, as despesas mensais. Estes dias não são numerados nem medidos. Aproximamo-nos do final do mês. Ninguém deu por isso. Ainda bem.
Os limites perdem-se (felizmente) e a coragem sai à rua vestida de “Trapalhão”, sambando contra os males da sociedade, numa crítica voraz, acesa, divertida, mas sobretudo realista. É no desfile “atrapalhado” que se centram as atenções dos madeirenses e turistas, cada vez mais numerosos, nesta época. O público aplaude os (des)“mascarados” e os mais destemidos entregam o corpo aos ritmos quentes de origem africana. Assim, dando uns pézinhos de samba, quebram a timidez e a passividade da assistência. Os “trapalhões” fazem as delícias das crianças e enchem de coragem os foliões que lavam a alma secretamente atrás de um “disfarce”, ousando cantar aos “deuses governamentais”: Ei, você aí, me dê um dinheiro aí, me dê um dinheiro aí”... Sambem. Revelem-se. Propaguem a epidemia. Quem sabe alguém influente nos ouve e lê os pensamentos exibidos atrás da máscara? Não custa tentar. É Carnaval.
(publicado no DN de 25 Fevereiro 2004)
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