quinta-feira, dezembro 31, 2015

Ano Novo, venha ele...

Com a idade, ficara assim, mais calma e mais sonhadora, mas sempre risonha, feliz, sentada no seu cadeirão de madeira gasta, cheia de marcas das unhas dos animais domésticos que ali cresceram junto dela, o gato Tobias e a cadelinha Xana.
Ficava ali meditando nos momentos do passado, com os pés inchados de tanta vida e andança na agricultura, nos tempos em que " era uma miúda toda gira", dizia ela, rindo-se, enquanto brincava com os caracóis louros do neto mais novo.
Hoje, último dia do ano, rodeada pelos seus rebentos já chefes de família, com netos e bisnetos a caminho, com os pés quentinhos, adormecidos nas pantufas cor-de-rosa, tinha um sorriso do tamanho do mundo no rosto: "Vem cá, João..." - disse ela, apontando para o seu mais novo. "Deixa-me contar-te, porque me sinto tão feliz, aqui, hoje..." E a família deixava a azáfama da cozinha, a confusão da televisão e o vício dos telemóveis. Aconchegavam-se, assim, junto à sua matriarca, com os olhos grandes de orgulho, ouvindo histórias que sempre ouviram e que pareciam sempre tão novas, mais que interessantes, rindo-se e abraçando-se. Um foguete gritou bem alto lá fora e fez-se silêncio, esperando mais. Era o fogo de artifício que começava a dar os seus primeiros passos na rua. "Feliz Ano Novo, vovó"- interrompeu o neto benjamim, que agora já andava na escola e tudo, de olhos bem abertos, azuis, resplandecendo de vida e de sabedoria. O abraço fez-se intenso, coletivo, doce e a conversa ficou aparentemente pelo meio. Era mais um momento de família, daqueles únicos, que só se vivem uma vez na vida. Lá fora, os foguetes cantavam, visivelmente felizes, também.

quarta-feira, dezembro 30, 2015

Memórias do meu avô

O meu avô merece que reescreva aqui o meu texto...


Tenho tantas saudades do meu "avozinho", uma presença única,sempre com tantas histórias de vida para contar, sempre me fazendo rir, com aqueles olhos azuis de galã, charmoso, me mimando com um pão-de-ló gigante, coberto de morangos e chantilly,"tudo light" , avisava."Tem pouco açúcar", dizia-me. Incrível.
O Meu avó plantou-me tanta memória no coração.Exibia-me à sua "patroa" no Carnaval, (chamávamo-la de "Senhora", uma lady americana, que alternava a sua residência entre os EUA e uma grande quinta no coração turístico da Ilha da Madeira), para mostrar os fatos confecionados pela minha mamy, na hora do chá, com as suas amigas. E ele rebentando de orgulho, em tudo o que a neta fazia e dizia. Era mordomo, chefe da cozinha de uma família americana, um cozinheiro, pasteleiro incrivelmente dotado. Daí se entende a arte que nasce das mãos da minha mãe, sempre que entra na cozinha... E eu adorava quando ele regressava dos EUA, onde trabalhava, chegando cheio de aventuras, que lhe ficavam saltando do olhar, sedento por partilhar tudo, as vivências, a peripécia hilariante da sua carta de condução tirada no estrangeiro, os estágios nas cozinhas americanas e as partidas que fazia aos colegas de trabalho...Fazia-me chorar à gargalhada...E lá chegava ele, carregado de histórias, e eu não perdia um único movimento daquele rosto lindo, fascinante, pele fina e branca, com ar de estrangeiro. Já no aconchego do lar, petiscando os cubos de queijo, passando os olhos pelo seu copo de whisky, mostrava orgulhoso um saco de prendas. Gostava desse momento, mas não pensava nele. Simplesmente o interesse puro estava num outro foco de atenção. O mais importante era ter o meu avô ali, à minha frente. Mas recordo com carinho, o cuidado que ele tinha. Lembro-me dos vestidos coloridos, cheios de folhos e adereços, ainda inexistentes em Portugal, da batata frita americana em pacote, da manteiga de amendoim e das iguarias novas que sempre me trazia... E ria-se, ria-se muito das minhas piadas de criança, até mesmo, de uma que me marcou muito. Quando, aos meus 4 anos, decidiram me fazer a pergunta mais dificil do mundo: "De quem gostas mais? Do avozinho ou da Lassie?" (era a cadelinha de estimação: o meu universo quotidiano). Olhei para ele e para a Lassie, e levei séculos a responder. Estavamos na sala, sentados ao piano, ao lado da minha mãe, em silêncio, esperando uma resposta...Não me recordo bem, mas acho que na minha inocência infantil, respondi meia chorona: "Lassie". De repente, lembro-me das gargalhadas, mas não me recordo da resposta. Ele riu-se muito. Essa gargalhada, o riso dele constante, bem disposto, quente e vivo, ainda o ouço, ternamente, inconfundível, no meu pensamento. No meu coração, foi o melhor avô do mundo.

domingo, março 04, 2012

Tão simples...


Contava as horas agarrada a um livro, saltando linhas e tropeçando desalmadamente nas palavras sussurradas no meu pensamento e nos sons prolongados do teu ressonar. Dormias ao meu lado, tranquilo, descansado, isento dessa emoção tão humana, quase adormecido também nos sentimentos que fechas a sete chaves, nem sei bem porquê. As horas teimavam em ficar presas, indiferentes, no relógio também ele frio, cansado em cima da mesa de cabeceira. O livro era tudo menos interessante. A cada teu respirar,  eu sentia que estava no sítio errado e na hora errada. Havia tudo ali menos amor no ar. O quadro que os nossos corpos pintavam esmorecia sem cor. Era tão simples: fechar o livro, fechar a porta e virar a página. Era tão simples aparentemente. Apesar do ruído sem ritmo, ensurdecedor no silêncio do escuro, do teu respirar pesado e despreocupado, era a ti que eu amava. Era ali que o meu coração pedia para ficar todos os dias, acostumado, embriagado, cego, mudo num amor que era e foi tudo menos correspondido. Apaguei a luz, meti algodão nos ouvidos e atropelei o vazio que me invadia a alma. Curiosamente, nunca te aperceberas que raras eram as noites em que conseguia adormecer ao teu lado. Amanhã, seria certamente outro dia.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Abraço

Vinha conduzindo, pela noite já preenchendo de escuro a luz do dia , quando tocou na radio uma melodia do Miguel Gameiro. Dei comigo a escrever-te esta nota em pensamento.

Remeto-a agora da alma para o estado legível...


Dá-me um abraço desses que embarcam o universo, que enchem de ar os pulmões quase secos de sentimento e fazem nascer um sorriso vindo nem se sabe bem de onde, de forma espontanea. Dá-me um abraço desses que apertam e deixam os corações chocarem-se, de ritmo misturado num só, acelerado de emoção. Dá-me um abraço daqueles que sabemos que falam no silêncio e dizem tudo o que as palavras não conseguem. Não tenhas medo de me abraçar só porque eu te dou palavras de amor e chocolates, só porque eu te amo e revejo em ti o meu mundo. Nossas vidas não ficarão presas num abraço, angustiadas e saturadas. Pelo contrário, será mais um dos nossos momentos felizes. Dá-me um abraço, sempre que o teu coração grite que o quer fazer e o teu corpo estremeça nesse enlace.Dá-me um abraço. Não deixes que seja preciso pedi-lo. Nunca.


Brilho nos olhos



Há já algum tempo que aqui não registo o deambular da minha mente, ela sempre tão fértil em momentos de idealização. Hoje reencontrei-me presa a textos dos passado, a emoções antigas, saudosas, e ao fervilhar de sentimentos constante, esse estado já intrínseco no meu ser. As palavras nascem-me nos poros, e respiram por todo os cantos do meu pensamento, como um vulcão. Tenho de dizer-te frontalmente. Fui contagiada pela tua essência. A tua sensibilidade fascina-me. A caminhada conseguida com jogos e ilusões agrada-me, mas muito mais ainda, o tesouro da tua genuidade. Sempre afirmo que o facto de estares aí sentado, agarrado ao teu iphone ou tablet, no teu escritório, em casa, ou no café, lendo o meu texto tão despido de artifícios literários, te torna, desde logo, uma pessoa especial. Sem saber, avivaste os passos que marco na estrada. É, pensando em ti, que abraço sonhos quando adormeço, liberta da poeira do quotidiano, de mente lavada, embalando a esperança pequenina de vir a conhecer-te por inteiro. Trouxeste inspiração à minha vida. Fizeste-me deixar para trás quem nunca soube ler a minha alma, quem sempre transcreveu as minhas palavras como uma cópia da realidade, sem espaço para qualquer ilusão pelo meio, isento de emoção, quem nunca acreditou em mim. A névoa desse passado surge agora em vagas distantes, fugidias, e sem importância. Trouxeste-me o brilho aos olhos e reacendeste o meu sorriso. É por ti que escrevo aqui de novo e só por ti. A tua presença é acima de tudo apaixonante. Por isso, fica. Preciso de ti.

domingo, setembro 05, 2010

É tudo tão fácil?




Fácil? Não creio... Já por natureza  é tudo tão complicado e nós tornamos ainda mais complexo o mais pequeno detalhe, ou não seríamos seres, por vezes, masoquistas nos sentimentos.
Cheguei de Itália ainda com a cabeça a flutuar de tanta ilusão e sonho e viagem no tempo. Foi um mês de Agosto verdadeiramente fascinante. Chego a questionar-me se perdi tempo realmente ou se não terei aprendido mais uma lição de vida? Não sei. Algo devo ter retido no meu coração abalado.
O certo é que chegamos a  uma fase da nossa caminhada, em que cada degrau pode perder mais cor, parecer mais alto ou mais degradado. O grau de exigência no caminho impera, em simultâneo com a tolerância que aumenta visivelmente. Contraditório? Sempre contraditório, ou não seríamos humanos.
Como sempre falo de sentimentos e emoções que nos fuzilam de todos os ângulos, sem hipótese de fuga. É disso que, de uma forma ou de outra, se controi o meu quadro aqui. Fantasia ou não, imaginação ou não, penso que isso sim será o menos importante neste momento.
As paixões de verão são uma realidade, basta sair à rua em plena noite quente de verão e olhar em volta. Há apaixonados por todo o lado.
Nunca se sabe. Pode inclusive ser uma doença crónica sazonal, à qual seja impossível escapar. Sei lá...Incurável. Quanto a mim, sou uma eterna apaixonada por tudo o que manifesta atenção, carinho, mimo e deliciada com o charme masculino tão natural no macho latino, nada  a fazer.
Parece que também eu estou declaradamente ligada à fatalidade do Verão que me faz acreditar na felicidade, nas amizades, nas pessoas, nos sorrisos e em todo esse espírito liberal e descontraído que tosta ligeiramente não apenas a pele bronzeada, mas os neurónios, confundindo-os, retraindo o raciocínio lógico  e objectivo.
Para arejar as ideias, bem me apetecia agora sair com o carro e ir deliciar-me a ver as estrelas, purificando os pensamentos ainda confusos. 
Impossível: O verão está no fim e a noite  anda nublada. "Já não há estrelas no céu" como dita Rui Veloso. E aqui em baixo, longe do brilho dos astros, pobres humanos... Connosco, nada é fácil.

terça-feira, julho 20, 2010

Dia D


Os problemas no trabalho sucediam-se a uma velocidade sufocante. A falência da empresa estava à porta. A auto-estima afogava-se diariamente. Aliada a isto tudo, estava eu, pendurada no pescoço dele, a segunda metade da sua alma. A situação era tudo menos confortável e feliz. Passava os dias contando as horas para a sua chegada a casa, transpirado, irritado, vazio, artifical, precisando essencialmente de um banho na alma. Outrora uma pessoa tão doce, via-o agora como um fantasma sufocado, egocêntrico, fechado num egoísmo assustador, convicto de que era a vítima sofrida de um mundo que o mutilava em cada passo. Abrir a boca era sinónimo de um atentado à sua atitude. Qualquer palavra doce tinha logo a interpretação do mais acusativo possível. Era a hora de descarregar em cima de alguém, sendo que a preferência era alguém com quem a intimidade fosse estreita e sobretudo, alguém que o amasse. O alvo perfeito? Era eu, pois. E fui eu. Vi diariamente aquele homem lindo e encantador em tudo, transformar-se num ser que eu temia olhar de frente. O vazio preenchia os nossos dias, as nossas conversas, os nossos risos ocos de tudo. Pensar que, meses antes, perdia-me horas a fio olhando-o nos olhos, conhecendo-o por dentro, fazendo-o abrir as gavetas do pensamento e dos segredos mais bem guardados, num voto de confiança especial. Cumplicidade única. Pensar em tudo isso, tirava-me a lógica de qualquer quadro pintado diante dos meus olhos... Mas houve um dia, igual a tantos outros, em que o vi chegar, sorrindo, jogar-se no sofá, respirando o meu ar de mulher que ama por inteiro. Fiquei pateticamente feliz. Pensei que seria um dia especial para ambos. Nesse dia completava mais uma  primavera, mas a data do meu aniversário ficara na memória oculta, distante e esquecida, sobretudo pela pouca importância e pouca conveniência do dia. Assim foi. Por mais triste que possa parecer, esperando que um mimo saisse do bolso mais pequeno do casaco transpirado, nem um beijo recebi.

segunda-feira, julho 19, 2010

Palavras


Perco-me frequentemente na sensualidade de uma palavra que é dita quase por instinto, cheia de expressão corporal e de odor, traduzindo emoção, quase que palpitando directamente das batidas que se sentem um pouco irregulares por tudo o que é poro. Sugo essa vontade selvagem de tocar e saborear cada sílaba que se faz acompanhar de um  gesto ou de um olhar fixo, expressivo, iluminado de sensações.
Não entendo que seja possível ignorar todos estes sinais corporais, bater a porta e fechar-se na concha escura anti-social da insensibilidade. Acredito que existem máscaras. Corações frios? Não creio. Este é o meu mundo cor-de-rosa e quente. Sabe-me bem. Cheira a vida. Deixem-me sonhar enquanto posso.

quinta-feira, julho 01, 2010

Gelo

Sei que, por vezes, torna-se aparentemente confortável ser um bloco de gelo, desafiando o calor dos sentimentos que ardem em chamas agitadas, autênticas, bem à nossa volta. Rígidos, sozinhos, procuramos o conforto numa almofada vazia de emoção, nostágica, fria como uma lápide, receando derreter. O gelo conserva-se assim. Ninguém percebe a recusa fria de um carinho oferecido, seja um mimo, um pequeno gesto, uma palavra de confiança, um beijo, um afago de amor modesto que interrompe a jornada dura, um sorriso que está sempre no rosto e que é apagado e solicitado para um outro dia e uma outra hora, como que programado, na vontade cruel de que isso seja realmente possível, num momento em que dê mais jeito. Os problemas diários da vida não implicam afastar quem nos mima, de forma natural, sem sufoco, sem cobrar, sem incomodar... Pelo contrário... Essa dedicação não é digna de indiferença. Uma vez jogado no lixo, o sentimento que ferve espezinhado, desprezado, humilhado e reduzido, deixa de ter algum fundamento. Arrefece. A página do livro vira-se assim num vazio silencioso, salpicada por pequenas gotas salgadas que transbordam semi-secas, magoadas, mumificadas, criando crostas ocas, incompreendidas. O tributo ao amor e à amizade fez-se da forma mais genuína. E o livro fechou-se.

domingo, fevereiro 28, 2010

Lágrima...

Sempre me encanto com a capacidade incrível que temos para cicatrizar feridas.
Nas lágrimas que te molharam o rosto, vi exposto, sem rodeios, esse medo admitido de quem receia a solidão. Confessaste ser o teu maior medo. Nunca alguém me dissera isso assim, num mergulho simples nas palavras. Na pequena esplanada onde estávamos, os débeis raios de sol acolheram o meu soluço interior, disfarçado pelos óculos de sol. Não sentiste certamente, o tremor que me percorreu as veias. Um arrepio frio ameaçou decapitar o sorriso que cultivo. Sabes, amigo... Também eu temo essa sombra vazia. A ideia de um dia procurar um abraço em vão e apenas gesticular no vazio, aterroriza-me. Sou capaz de te empurrar pelos degraus, forçando a subida, por mais pesados que sejam os teus passos. Neste universo que abraço, estou pronta para subir a escada de novo. A queda poderá ser assustadora. Não importa, acredita. Marco os passos ao teu lado e a caminhada, a dois, compensa. 

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Amo-te...

Eterna amante da vida. Eterna sonhadora na caminhada. Extasiada. Horas de pensamentos doces e sonhos cor-de-rosa. Eterna adolescente apaixonada. Incompreendida na utopia, mas feliz, esperançada. Na simplicidade de quem sou, amada do modo que sou, sonhando sorrisos e sendo abraçada. A minha vida é feita de Amor, é feita de tudo e nunca de nada.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Mimo

A tua simples presença...é uma carícia eterna na minha auto-estima.


(Foto in www.olhares.aeiou.pt/carinho_foto2481.html)

Na tua voz

Chama o céu, a noite, as estrelas...
Chama a lua, o brilho, o silêncio...
Chama a chuva miudinha, o vento suave...
Canta e chama com eles a brisa...
Chama o orvalho que cai sereno no escuro..
Chama o canto do grilo distante...
Chama a cor do negro em fuga, errante...
Chama a silhueta da lua no mar...
Chama a noite vadia que chega..
Chama o perfume da vela acesa...
Chama o fogo intenso que dança...
Chama o meu nome perdido, apaixonado...
Chama por mim, sonhadora como sou...
Chama e canta na noite, que eu vou.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Para ti...


Estou feliz. Ainda há quem acredite nas palavras que o meu pensamento joga, às cegas, neste espaço.

domingo, janeiro 31, 2010

Do lado de fora...


Correu para ver o jogo de futebol lá na TV da sala e a miúda ficou na cozinha, resmungando sozinha, batendo com um pé no chão, numa dança irritante. Pensei que iria vê-la cair da cadeira. Fez-me lembrar um puto amuado, no início de birra. De perto, assistia assim ao grande início do conflito do dia. Já era usual aquela discussão descompassada, aborrecida e corriqueira. Quanto a mim, começava a ficar farta do ambiente. Ela suspirava pronta para explodir. Saiu da cozinha cega, revoltada com o mundo e com o namorado, este último de olhar preso ao grande plasma, todo esticado no sofá, comendo batata frita de forma mecânica e com uma cerveja aos seus pés, ameaçando alagar o tapete de bambu que se exibia no centro.. Que cenário. Fiquei de fora. Isolei-me do ciúme estúpido do futebol e fui ver o jogo para casa.

sábado, agosto 29, 2009

Mergulho livre


Vim actualizar sentimentos e emoções, questionando-me se isso será humanamente possível.

Tentemos.

Mesmo com o pensamento em agitação, fervendo de ideias, cores e imagens, a emoção impõe-se, soberana. Confunde-se, embora bem definida, com um vulcão em erupção, destemido e acabo "quase" duvidando desses sentimentos que se dizem tão certos.

O mergulho foi livre, directo. Não houve espaço para uma palavra trocada e dei por mim, ouvindo-te deliciada, horas a fio, interessada, mesmo quando os bocejos físicos reclamavam horas de sono em atraso. Quis falar. Fui reprimida. Não foi a apatia que me reteve. Foi a simplicidade da minha sintaxe e do meu ser, maravilhada com o choque térmico dos teus olhos quase frios. Contraditório? Antagónico? Conservador? Não... Apenas um mergulho livre, quase envenenado, nessa voz embriagante, que nada promete, nada sente, nada questiona em si. E percebi. Percebi a dimensão do que sou. Senti-me grande. Gigante. Tenho afinidade por ti, intensa, ao contrário de ti, incapaz de corresponder a um coração como o meu. Não estou triste. Estou antes, consciente da dimensão da minha espiritualidade sensível. Sou uma mente com emoções, que abraça o mar e o céu, com a vida que tem e ama, que chora, ri e vive, sem medo, encantada com esse milagre da vida.

De alguma forma, serás sempre o meu anjo. Um anjo que voa, mergulha, mas que não se entrega ao céu quente, com medo de perder o poder na terra fria.

terça-feira, maio 19, 2009

Comments


Este espaço só faz sentido com alguém aí desse lado.
Um pensamento, um devaneio, um suspiro... É só escrever.

sábado, maio 16, 2009

Sorriso.


Não é todos os dias que sentimos um sorriso vindo da alma. É verdade. Mas são tantas as vezes que recebemos uma expressão dessas, tão mágica e pura, e nem percebemos o poder desse gesto. Vale tanto. Vale tudo. E quando não conseguirem sorrir, continuem a tentar... Esse simples movimento facial alimenta o ego de esperança e aquece qualquer sentimento dorido. Ajuda a cicatrizar.

terça-feira, maio 05, 2009

Click virtual?

Eis a carta que ela deixou no carro e que infelizmente acabei encontrando quando estava à procura dos óculos de sol, num dos compartimentos laterais. Era para mim. Deixou-me uma carta?
E eu que pensava que já não se escreviam cartas, mas que apenas se enviavam mails ou sms. Estou incrédulo, chocado e triste. Voltei a ficar só. Voltei a ficar vazio. E pior…tenho vergonha de mim e ao mesmo tempo, sinto raiva dela. Adoro-a, mas não me posso prender, sobretudo depois de ter lido isto. Que mulher teimosa. Que mulher chata! Que mulher linda... Que fiz eu?
Olá Mister Y.,
Escrevo-te, em resposta ao desagradável sms que me enviaste em duplicado.
Há já algum tempo, quando me telefonas, que não me apetece falar contigo e tu já sabes disso. Não tenho atendido os teus telefonemas. Desde há muito. Desde que tiveste acesso ao meu número. Evito-os, sob mil pretextos.

Queria esclarecer algumas coisas...
Ao contrário de ti, sou uma pessoa feliz. Luto por esse estado. Sei sorrir. O meu sorriso, sei dá-lo aos outros gratuitamente, sem segundas intenções virtuais ou físicas. Tentei falar-te disso. Recordar-te-ás de certeza.

Disseste que não eras nenhum príncipe. Sim, eu nunca disse que o eras.

Dei valor ao teu coração. Ao contrário de ti, não tive “click” virtual. Não entendo como pode um homem adulto falar de virtualismo dessa forma. Impressionante!

Não tinha o menor interesse físico em ti.

Cansavas-me até com as mensagens de voice-mail longas, maçadoras e sem interesse algum para mim, deixadas para ouvir em última instância. Não precisava de ti para ouvir palavras bonitas.

Quis conhecer o teu ser espiritual.

Não me coloquei nas tuas mãos para me escolheres, Mister Y. Não preciso de me submeter a isso. Por isso, nauseou-me classificares-me, afirmando que eu teria “superado as expectativas”.
Chocou-me a tua limitação literária.
Como é que alguém que supostamente deveria fazer leituras diversas, um homem da política, não percebe textos de ficção? Falo dos meus textos de ficção!

Fiquei horrorizada…

Pensas que o Paulo Coelho estaria a falar dele quando escreveu o "Alquimista", o teu livro de eleição? Quando escreveu o "Onze minutos" encarnando o papel de uma prostituta, era ele essa mulher? Que mundo literário é esse, pequeno e limitado, em que vives?
Não foste nunca a minha prioridade. Não poderias sê-lo.

Paulo Coelho está superado, em termos de "Alquimista", meu caro amigo. Não acredito que essa filosofia repetitiva e tão desgastada te traga sucesso. Abrir os horizontes do pensamento é uma qualidade. Cultivada, permite voar e ser livre, respeitando os outros, sem narcisismos.

Põe os pés na terra. Percebe que não chegaste nem a sair do ponto de partida. Estagnaste, caro Mister Y.
Nem mesmo o "Perfume" de Patrick Süskind conseguiste sentir? Incrível!
Não estou na Política, amigo Mister Y., como tu, e orgulho-me disso.
Ambos também sabemos o motivo.
É nas asas das Artes que me deixo voar. Não pretendo conquistar ninguém com as minhas aptidões, muito menos recorrer a excertos de monólogos monótonos, do tipo político.

Nada mudaria o vazio que senti na tua presença. Exalas solidão e tristeza. Até no tom de voz. Não sabes, nem consegues sorrir. És um homem triste, escuro, um poço de amargura ambulante. Vagueias só na excuridão de uma falsidade, de aparente modéstia, chegando a ser cruel de tanta frieza. Parece que estás morto sem qualquer motivo de existência, agarrado a uma ideologia política também ela desfalecida. Alegas que pretendes deixar algo para a Humanidade? Com atitudes tão pouco dignas que aqui não exponho, caro Mister Y., não vais muito mais longe, além do primeiro degrau do bloco de apartamentos onde vives. Ambos sabemos a que me refiro.

"Ninguém é perfeito". Sem dúvida.
Aceitei conhecer-te, apenas por ética, o único princípio viável que me moveu até ti.
Perdi, realmente, o meu tempo.“

Uau… Estúpida! Li isso de um fôlego e rasguei a dita carta em mil pedacinhos, com desejo de processá-la, de magoá-la ainda mais, de estragar a vida dela e de vê-la realmente infeliz, sem aquele sorriso sempre na cara, sempre gentil, directa. O optimismo dela e sua frontalidade irritaram-me mesmo. Senti o sangue ferver nas veias. O meu orgulho de homem esmoreceu. Pior que tudo… Fiquei com o dia estragado e andei com o telemóvel desligado por umas horas, com vergonha, até da minha própria sombra.

quinta-feira, abril 30, 2009

Caçarola de emoções


Basta juntar as preocupações com as idiotices das dúvidas e esmagar bem com uma pitada de bom humor, levando-as ao lume brando. Adiciona-se o ingrediente principal- as emoções- temperando-as de forma criativa, com amor e uns bons salpicos de sensualidade para aguçar o paladar. Recomenda-se que seja servido no mais belo ambiente romântico, com os telemóveis desligados.